"Histórias de determinação e força: Saiba como elas aprenderam a vencer o câncer"

T. “Todos os anos eu faço exames gerais. No ano passado, fazendo um exame, foi encontrado um tumor na mama. Fiz uma cirurgia e não perdi a mama. É muito importante fazer o exame anualmente”.
A. “Em outubro de 2003, fiz um exame de rotina que diagnosticou o carcinoma na mama direita, que precisava ser retirada. Quando temos que lidar com as nossas próprias dores, ficamos sem ação, mas tive muito apoio dos colegas de trabalho e médicos, dos filhos e do marido, foi péssimo para ele, ainda hoje continua confuso e já estamos em 2007. Considero-me uma vencedora porque a cada dia vejo que Deus está me dando mais uma chance de vida. No momento, meu esposo que refazer nosso casamento, ele está se esforçando, as coisas que me magoavam, coisas que nós dois não estávamos conseguindo fazer por falta de diálogo estão sendo mudadas, nós merecemos uma chance. Em dezembro completamos 29 anos de união, os filhos casaram e estão começando suas vidas. Só o pai continua da moda antiga, muitas coisas não evoluíram e com os filhos ele continua durão. Em parte, tento entender. Chega um momento em que precisamos dizer não para certas coisas, principalmente a quem amamos. Dizer a verdade é o melhor remédio. (...) Mas há situações em que a própria pessoa tem que tomar atitude. Estou tomando essa atitude, revivendo tudo e todos os momentos da melhor forma possível, em casa com meus filhos, meu primeiro neto e minha aposentadoria que já saiu. Hoje é um novo dia para nunca perder a fé, a esperança e o amor”.
L. “Descobri que tinha câncer em março de 2005, quando comecei a fazer exames e a biópsia, mas só conclui que estava mesmo com a doença em agosto daquele ano. Até essa data, eu achava que não ia ser nada, mais depois do exame positivo, eu chorava, tinha medo de morrer e de deixar minha filha sozinha. Com a ajuda de Deus e muitas orações, fiz a cirurgia, certa de que nada de mal iria me acontecer e realmente foi tudo perfeito. Após a cirurgia é que eu comecei a me sentir triste. Tenho ajuda da psicóloga, do psiquiatra e a nossa reunião nos  ajuda muito na realidade a ajuda é fundamental, pois toas nós do grupo temos os mesmos problemas, as mesmas ansiedades, choramos por qualquer coisa, e no grupo nos ajudamos bastante. Enfim, há dias em que estou bem, outros em que estou triste, choro muito, sofro por coisas que nem sei o que é. Consigo sobreviver a isso tudo, primeiro com a graça de Deus, com a ajuda dos familiares, dos amigos e da nossa reunião”.
S. “ Há muitos anos, antes de 2005, eu tinha dores fortes pelo corpo todo, nos  braços, eu não podia nem estender uma roupa no varal que sentia muita dor e  pontadas no peito esquerdo. Eu achava que as dores eram só dos nervos, pois enfrentava problemas com a filha adolescente, quem criei sozinha. Achava também que poderia ser um desconforto provocado por problemas financeiros, pois o financiamento da casa já estava atrasado há três anos. Decidi vender minha casa e minha lojinha de presentes, paguei todas as dívidas e fui morar de aluguel, achava que todos os problemas estavam resolvidos e que iria começar uma nova vida. Infelizmente, comecei uma nova vida sim, mas não foi do jeito que esperava. Nesse mesmo ano, em outubro, comecei a sentir fortes dores nos dois seios, mas achava que não era nada, pensava que tinha a ver com os anticoncepcionais que eu havia parado de tomar. Foi quando em uma noite, ao deitar, senti uma bola enorme no meu seio esquerdo, que doía muito . Comentei com minha filha e decidi ir ao médico, o resultado foi que havia um cisto hemorrágico e o médico que me atendeu disse que eu precisava consultar urgentemente um mastologista. Assim começou minha nova vida, na verdade, a minha luta por ela. Você sempre pensa que o pior não vai acontecer com você, só com os outros, mas é nessa hora que você vê como está a sua fé, se esta próxima de Deus ou se não consegue se aproximar com toda força, pedindo a Ele que segure sua mão e não largue até superar tudo.

Bem, como se não bastasse ou por milagre de Deus, minha filha engravidou aos 17 anos. Eu já estava desconfiada, mas ela negava. Meu genro veio me contar e disse que ia assumir a criança. Logo, ele veio morar conosco, eu estava em  estado de choque, não acreditava no que estava acontecendo, mas dei apoio, pois eu havia passado pela mesma situação aos 21 anos, sendo que não fiquei com o pai dela. Estava ali diante da gravidez da minha filha e de uma doença, sem saber a proporção do que viria pela frente durante o tratamento. Quando o mastologista disse que o resultado tinha sido positivo, que eu estava realmente com câncer e que teria de fazer quimioterapia, radioterapia e cirurgia, senti que eu saí do meu corpo e fui até o teto, vi os médicos dizendo que iria dar tudo certo, minha filha estava comigo, chorando no cantinho da sala.

Cheguei a expelir quatro pedras dos rins no dia em que recebi o resultado. Com isso, começou a maratona, não acreditava que o cabelo iria cair, mas, infelizmente, isso começou no dia treze após a primeira quimio. Consegui uma peruca, só que loira e eu sou morena, porém todos os meus amigos acharam que ficou bem, não sei se foi só para me agradar.

Durante o tratamento tive altos e baixos, dias em que começava a chorar e não conseguia parar, mas daí chegou minha netinha. Parece que entrou um anjo em minha casa, sempre que estava com muitas dores eu a chamava, pensava que logo estaria boa e que teria minha neta para poder brincar e me distrair.
Enquanto estava fazendo quimio, minha mãe estava ao meu lado, mas teve que ir embora. No período da radioterapia, eu ia para o tratamento ora com minha filha, ora com minha avó ou com uma tia, que chegou a tirar uma semana de férias para me levar. Mas, às vezes, não havia ninguém para ir comigo, aí vinha o desespero, começava a chorar de repente. Na rua, sentia uma sensação de abandono. Sozinha, tendo que pegar ônibus lotado, onde as pessoas não sabem o que você esta passando e muitas vezes estão vendo você passar mal, mas nem perguntam se precisa de ajuda.

Tudo isso enfrentei com a ajuda da minha família e dos meus amigos. De vez em quando, não tinha vontade de sair do quarto, minha filha aparecia e dizia: “Levanta mãe, olha que dia maravilhoso!”. Aos poucos, estou conseguindo me levantar, pois antes era uma pessoa que batalhava, criei minha filha sozinha, sem medo de nada. Penso que não devo me entregar, pois temos que, em primeiro lugar, quando nos deparamos com situações em que nós somos o protagonista, lutar, acreditar em Deus principalmente e dizer que uma doença que não estava no nosso corpo, que nunca nos pertenceu, não pode nos derrubar. Não é fácil passar por tudo isso, às vezes você pensa que jamais irá voltar a ser a mesma pessoa ou parecida com o que era antes, mas devemos lutar, porque a vida continua”.
T. “Tudo começou em agosto de 2006. Fui fazer um check-up e a médica perguntou: “Você já fez mamografia alguma vez “? Eu disse que não, então ela fez a requisição para o exame , que foi feito em 07/08/06. Quando fui buscar o resultado no dia 14 daquele mês, estava no ponto de ônibus e resolvi abrir o exame. Resultado: Suspeito para malignidade de 95% na tabela BIRADS 5. Fiquei sem chão pois, em maio de 2006, minha filha de 6 anos tinha acabado de terminar as quimioterapias depois de 2 anos e meio de luta para a cura da leucemia. Primeiramente, pedi mais forças para Deus, levantei a cabeça e disse: Venci uma luta, vou vencer mais uma, tenho duas filhas para criar, inclusive, uma adolescente, não posso cair, sou pai e mãe, “ o alicerce”, sei que foi difícil, mas superei, sabe por que? Deus é maior que tudo.

No dia 6/11/2006, fiz a mastectomia e a reconstrução pelo abdômen. Foram nove horas de cirurgia. Quando recebi alta, saí de cadeira de rodas com dois drenos, parecia um pesadelo, mas sempre com esperança, otimismo e fé. Hoje tomo um medicamento que devo tomar por 5 anos, o tamoxifeno. Deus me deu um presente: Não precisei fazer quimio nem radioterapia, e o mais importante, meu deu a cura! Continuo em acompanhamento na cirurgia plástica para reparação da mama, controle na hematologia e na mastologia a cada três meses, todos os exames estão ok. Quero aproveitar e fazer um agradecimento a todas as pessoas que me ajudaram: família, amigos, através de orações e de força, e agradecer toda a equipe médica pela competência, dedicação e humanidade. Deus nos envia anjos sempre na hora que precisamos. Você, que está agora lendo este depoimento não desista, não desanime, lute, tenha fé, seja qual for o problema, acredite na força divina! O que aconteceu comigo, não foi por acaso foi para te ajudar ”.
M. “Em setembro de 1998, eu soube que estava com um câncer de mama. Era um nódulo bem pequeno, de menos de 1,5 cm na mama esquerda. No dia 30 de novembro do mesmo ano, fiz a cirurgia e autorizei uma mastectomia radical, deu tudo certo. Não precisei fazer quimioterapia e nem radioterapia. Hoje, nove anos depois, estou bem, não tive depressão, e nem chorei pelo problema. O que eu queria na época era viver para ver minha neta nascer e poder passar mais tempo com ela. Quando a gente recebe a notícia que tem uma doença grave, como o câncer, sente o chão sumir debaixo dos pés. Depois, a gente coloca a cabeça no lugar e quer fazer de tudo, só pensando em viver a vida com qualidade. Vivo feliz e hoje faço tudo o que gosto, saio bastante de casa para conversar com as pessoas, para não lembrar do que eu passei na época. Graças também aos encontros do grupo e às trocas de experiências com as outras mulheres que também tiveram doenças iguais. Eu estou bem e vou levando a vida feliz e alegre”.
L. “Eu soube que tinha a doença em março de 2005. Nesse momento, faltou espaço no mundo, parece que eu estava em um mundo irreal. Continuei com minhas atividades normais, preparei toda a documentação, chorando durante a noite e quando as pessoas não viam. O meu apoio foi a Igreja, fiquei em silencio até o dia 18/06/2005, quanto contei sobre a doença porque houve uma reunião em minha casa e duas pessoas que amo muito estavam lá. A cirurgia foi em 19/06/2005, a recuperação foi sem transtornos e continuei chorando por qualquer coisa, achando que a vida não tinha mais sentido, me sentindo velha e inútil. Perdi a capacidade de sonhar e fazer projetos, achando que a vida não tinha mais jeito. Logo depois da cirurgia, já estava fazendo radioterapia e comecei a freqüentar as reuniões. No inicio, não gostei, mas aos poucos fui gostando e as orientações foram me ajudando, tirei forças das situações que as colegas de grupo enfrentaram, também percebendo a melhora delas, o que me motivou a continuar lutando. Hoje a luta continua, fiz cursos, vou à Igreja e venho às reuniões. Descobri a revista Viver, que comenta bastante sobre maturidade, e como as pessoas se superam. Isso também está me dando forças. Ainda não tenho nada de concreto na minha vida, tenho dificuldade para me relacionar, mas já percebo que existem muitas coisas que posso fazer. Estou lutando, indo atrás e tenho esperanças de dar um rumo melhor e mais feliz para minha vida e das pessoas que me cercam. Também tento reverter os efeitos negativos que a radioterapia deixou, através da medicina e de tratamentos alternativos. Meu lema é reverter o que pode ser revertido e aceitar o que pode ser mudado.”.
M. “Meu problema começou há muitos anos, eu era uma mulher feliz, tinha tudo perfeito, na minha saúde e na minha vida familiar. De repente, comecei a ter febre, então fui ao médico. Descobri que tinha pouco tempo de vida, meu mundo acabou. Sofri, chorei tudo que se tem para chorar, mas prometi para mim mesma, essa doença não vai me matar. Comecei a lutar, sou uma ótima paciente, faço tudo certinho, começando pela alimentação. As minhas amigas tinham pena de mim e comentavam: ‘Ela vai morrer’. Fui abandonada pelo homem que tinha, fui rejeitada de todo jeito. Sofri muito, mas lutei, trabalhei com afinco. Meu problema agora é trocar minha prótese, mas vou chegar lá. O modo de vida que levamos e a alimentação são muito importantes. Não fumo, não bebo, como muitas verduras e frutas e meu pensamento é só um : eu vou viver.

Acho que todas que tiverem um pensamento forte como o meu também sairão dessa. Lute, pense forte que tudo vai dar certo. ‘Vou me curar, vou sair dessa ”.
L. “Em abril de 2006, minha vida deu uma guinada. Levei dez anos para conseguir um emprego e, quando consegui, apareceu a doença. Um dia trabalhando, senti uma dor queimando no peito, fui ao posto de saúde e os médicos falaram que eu poderia estar enfartando. Eles tentaram me manter no posto para fazer um exame, a contagem de enzimas, que levava, em média, 15 horas, mas não havia remédio para o exame. Assinei um papel me comprometendo a ir ao posto novamente e solicitar o exame. Como sou cobradora de ônibus, meus horários dificultavam minha ida ao médico. Após duas semanas, voltei a sentir novamente a dor, fui para casa e, naquela noite, dormi com a mão sobre o peito. Quando acordei, senti uma coisa dura e doída na mama direita. Levantei bem cedo e fui procurar recursos médicos para saber o que estava acontecendo. Fiz a mamografia. O resultado foi um nódulo no nível 5. Em agosto fiz a cirurgia de retirada total da mama direita. Desde então, faço controle com mastologistas, oncologistas, psiquiatras, psicólogos e fisioterapeutas. Não foi fácil passar por tudo, mas uma força invisível me sustenta, não deixando que eu esmoreça. Tenho fé, muita fé em Deus e muita persistência. Agradeço a todos os profissionais que cuidaram de mim e que continuam cuidando”.