Brodowski

 

 

Retrato de João Cândido

 

 

Maria

 

 

Retrato de Jorge
Amado


 

Portinari com a família, cerca de 1908

ascido no estado de São Paulo, em uma fazenda de café perto da cidade de Brodowski em 30 de dezembro de 1903, CANDIDO PORTINARI, o segundo dos doze filhos de imigrantes italianos, veio a se tornar um dos mais importantes pintores brasileiros. Sua importância, porém, vai além do registro pictórico de uma época, pois sua pintura revolucionária tornou-se um importante pólo de captação e irradiação das principais preocupações estéticas, artísticas, culturais, sociais e políticas de sua geração. Deixou-nos um legado de quase 5.000 obras entre murais, afrescos, painéis, pinturas, desenhos e gravuras, que representam uma ampla síntese crítica de todos os aspectos da vida brasileira de seu tempo.

Na pequena Brodowski, PORTINARI freqüentou a escola mas não foi além do terceiro ano do curso primário. Entretanto, o interesse pela arte viria desde muito cedo. Aos dez anos fez o Retrato de Carlos Gomes, seu primeiro desenho conhecido e já era chamado a ser ajudante de um grupo de pintores e escultores italianos itinerantes que viviam de decorar as igrejas das pequenas cidades de interior. Ali encontrou seu primeiro mestre: Victorio Gregolini.

Logo depois, PORTINARI mudou-se para o Rio de Janeiro onde se matriculou como aluno livre na Escola Nacional de Belas Artes. Dois anos depois, aos 18 anos, expôs pela primeira vez e, em 1929, então com 26 anos, fez sua primeira exposição individual, com 25 retratos, no Palace Hotel do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, seguiu para Paris com uma bolsa recebida da ENBA, regressando em janeiro de 1931, já casado com Maria Victoria Martinelli, jovem uruguaia de 19 anos que seria sua companheira da vida toda e com quem teve seu filho único, João Candido.

Com o prêmio Carnegie, nos EUA, viria seu primeiro sucesso fora do Brasil tendo início assim, em 1935, a mais bem sucedida carreira de um pintor brasileiro com projeção internacional. Viriam a seguir os três grandes painéis para a Feira Mundial de Nova York (1939), sua exposição individual no MoMA de Nova York (1940), os quatro painéis para a Biblioteca do Congresso, em Washington, a publicação, pela Universidade de Chicago, do primeiro livro sobre sua obra (1941), o impacto da exposição na Galerie Charpentier, em Paris (1946), a exposição itinerante em Israel (1956) e, finalmente, seus monumentais painéis Guerra e Paz para a sede da ONU, em Nova York. Foi agraciado como melhor pintos do ano (1955) pelo International Council For Fine Arts de Washington.

Testemunho e retrato da alma de seu povo e da vida brasileira, a obra de PORTINARI nos dá o itinerário de acesso ao Brasil como nação e nos indica o pleno sentido do que seja cidadania.

Em 6 de fevereiro de 1962 morreu PORTINARI, aos 58 anos, intoxicado pelas tintas. A cerimônia de sepultamento espelhou sua importância para os companheiros de geração com a presença conjunta de líderes políticos de atuação oposta e tantas vezes incompatíveis, como o ex-presidente Juscelino Kubitschek, de Hermes Lima representando o então presidente João Goulart, dos líderes comunistas Luís Carlos Prestes e Carlos Marighela, e do líder anticomunista e governador do estado da Guanabara Carlos Lacerda, além de representações de órgãos de classe, da Assembléia Legislativa do Estado e de grande massa popular. Juscelino Kubitschek, Luís Carlos Prestes e Carlos Lacerda seguravam o caixão, enquanto Marighela pronunciava o discurso fúnebre. A Presidência da República emitiu nota de pesar e é decretado luto oficial de três dias.

O escritor Jorge Amado escreveu sobre PORTINARI:
...Portinari nos engrandeceu com sua obra de pintor. Foi um dos homens mais importantes do nosso tempo, pois de suas mãos nasceram a cor e a poesia, o drama e a esperança de nossa gente. Com seus pincéis, ele tocou fundo em nossa realidade. A terra e o povo brasileiros - camponeses, retirantes, crianças, santos e artistas de circo, os animais e a paisagem - são a matéria com que trabalhou e construiu sua obra imorredoura..."

Além de pintor, PORTINARI foi também poeta. Seus versos têm a mesma temática de sua obra plástica. Em 1964, foi publicado o livro "O menino e o Povoado", com uma seleção de seus poemas feita por Manuel Bandeira. PORTINARI abre o livro com uma confissão: "...Quanta coisa eu contaria se pudesse e soubesse ao menos a língua como a cor…"