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PI > Santa Filomena

Santa Filomena é uma cidade e município do estado do Piauí, Brasil. Localiza-se na microrregião do Alto Parnaíba Piauiense, mesorregião do Sudeste piauiense. O município tem cerca de 5.999 habitantes (Censo 2007) e 5391 km². Foi criado em 1938.

O município possui um alto potencial agropecuário sendo um dos maiores produtores de soja, arroz e algodão do cerrado piauiense. A cidade é banhada pelo Rio Parnaíba, divisor com o município de Alto Parnaíba, estado do Maranhão. Possui vários balneários naturais, desfrutados mais frequentemente nas férias de julho pelos seus moradores, geralmente pelos estudantes que moram ou estudam fora. No mês de agosto são comemorados os Festejos da Padroeira da cidade que tem o mesmo nome, ocasião em que a pacata cidade chega a receber visitantes atrás do concorrido evento religioso. A economia centra-se principalmente na agropecuária. Santa Filomena está localizada no extremo Oeste do Piauí, onde está a curva do Rio Parnaíba.

A narraçã o dos fatos notáveis ocorridos em Santa Filomena começa em 1854, com a criação do Povoado. Dois anos mais tarde, consequentemente em 1856, a povoação foi elevada, sob o aspecto eclesiástico, à categoria de Freguesia e Distrito. No entanto, há duas versões sobre a origem do município de Santa Filomena. Pereira da Costa, em sua célebre Cronologia Histórica do Piauí, relata o seguinte sobre o assunto: "A vila de Santa Filomena é uma das mais modernas povoações do Piauí, pois a sua origem remonta apenas ao ano de 1854". Descoberto o lugar em que atualmente está situada a cidade, José Antonio Barreiros de Macedo convidou diversos parentes e a outras pessoas para fazerem uma entrada de reconhecimento no local, que até então era habitado por índios da nação cheréns, e, ali se fixando, começou a levantar algumas moradias e fundou uma Capela (pequena Igreja). A outra versão dá conta de que, no fim do Século XVIII e princípios do Século XIX, houve várias incursões ao território do atu al município de Santa Filomena, sendo a última feita pelo patriota José Antonio Barreiros de Macedo, que teria transposto a Serra do Riachuelo, vindo até as margens do Rio Taquara, percorrendo outras partes do município, sem, contudo, deixar vestígios de fundação de qualquer estabelecimento pecuário ou de outra natureza. Anos depois, o coronel José Lustosa da Cunha (mais tarde Barão de Santa Filomena), que então residia na Fazenda Contrato, no município de Gilbués, partia dali, já no Século XIX, acompanhado da mulher, parentes e escravos e seguiram o mesmo roteiro de José Antonio Barreiros de Macedo. Fixou residência no local, onde hoje é a sede do município de Santa Filomena, fundando uma pequena aglomeração humana. Com o passar dos meses, outros moradores foram chegando e construindo suas casas, sendo que em pouco tempo já apresentava características de um próspero povoado. O rico criador de gado, José Lustosa da Cunha, penetrou na região em busca de terras para criatório. Essa e xpansão era conseqüência dos domínios políticos de sua poderosa e ilustre família. Vislumbrado com o potencial das terras, às margens do majestoso rio Parnaíba, um belo e aprazível lugar, deu início à construção das primeiras casas. De acordo com a tradição, o nome da povoação foi dado pelo próprio Lustosa da Cunha. O povoamento iniciou pela construção da casa-grande (onde hoje residem as Freiras), de uma capela e de algumas moradias. Na Bahia, José Lustosa da Cunha adquiriu uma imagem de Santa Filomena, para padroeira e, em homenagem a ela, pôs o nome de Filomena em sua primeira filha, nascida na localidade, por se considerar um devoto da Santa. Criou-se, então, o Município de Santa Filomena, sob a denominação atual, pela Resolução Provincial nº 586, de 25 de agosto de 1865, assinada pelo governador da Província, Franklin Américo de Meneses Dória (1864-1866). Tal resolução foi suprimida pela Lei nº 763, de 05 de setembro de 1871, sendo restaurado mais tarde, com território desmembrado do município de Parnaguá, pela Resolução Provincial nº 811, de 03 de agosto de 1873, e reinstalado em 26 de dezembro do mesmo ano, pelo Dr. José Lustosa de Sousa, juiz municipal de Parnaguá, cuja Comarca ficou pertencendo àquela jurisdição até o advento da resolução provincial nº 850, de 18 de julho de 1874, que criou a Comarca de Santa Filomena. Mas a comarca de Santa Filomena sofreu várias mudanças, a saber: Extinta em 1892; restaurada em 1893; novamente extinta em 1896; restabelecida em 1914; e, outra vez, extinta em 1922. Em 1925 a Comarca foi restaurada mais uma vez, sendo integrada pelos municípios de Corrente, Gilbués e Parnaguá. Finalmente, pela Lei nº 96, de 21 de junho de 1937, a Comarca de Santa Filomena foi reduzida ao Distrito de igual nome, desanexando as demais situações que perduram até os dias atuais. Outros Aspectos Históricos - A geografia da região era já conhecida por fazendeiros piauienses e grupos indígenas, sendo que algumas informações indicam como sendo predominante a tribo Cheréns, composta por indígenas que habitavam a região. O avanço dos colonizadores certamente provocou a expulsão desses silvícolas para as margens do rio Tocantins. O Coronel José Lustosa da Cunha, como lembrança, plantou ali perto uma semente de mangueira, nascendo e se desenvolvendo, e se tornou a mangueira-mãe de todas as outras existentes naquele período. No decorrer dos anos, outros parentes e amigos chegaram, aderindo aos esforços de colonização da região. Chegou, também, o cidadão Camilo Vieira, que era um homem muito rico e que havia comprado uma moça na Paraíba, cujo nome era Esmeralda. Depois daquela atitude, a sua família revoltou-se contra ele e, resolveu situar para o mesmo uma fazenda, pondo o nome de "Contrariado", significando a expressão dos seus sentimentos. Em frente, ficava a ilha da Esmeralda, por ter sido ela, a primeira mulher a visitá-la, conhecida hoje por Ilha do Santo Antonio. Ali, tiveram uma filha, e o seu nome era Mikaela. Po steriormente, chegou à região o jovem de nome Francisco Luis de Freitas, também à procura de terras para a criação de gado e, conhecendo Mikaela, logo contraiu matrimônio com a mesma. Em desavença com sua família, resolveu estabelecer uma fazenda do outro lado do rio Parnaíba, pondo a denominação de Barcelona, onde originou por ele, a Vila Santa Vitória, atual Alto Parnaíba (MA). Santa Filomena na Guerra do Paraguai – A cidade de Santa Filomena, localizada no sudoeste do Piauí e distante 920 quilômetros de Teresina, figura nos anais da História-Pátria por sua participação na Guerra do Paraguai. Transcorrida entre 1864 e 1870, ainda é tida como o maior conflito da América Latina, pois colocou Brasil, Argentina e Uruguai em luta contra o Paraguai, o qual se empenhava por uma saída direta para o mar. Segundo os paraguaios, isso seria necessário, a fim de que o país pudesse dar escoamento às suas mercadorias através do oceano Atlântico. Para tanto, teria que ocupar uma boa parte do t erritório brasileiro. Após o aprisionamento do navio Marquês de Olinda, no rio Paraná, houve a declaração de guerra, onde os paraguaios invadiram Mato Grosso e tentaram invadir o Rio Grande do Sul, atravessando sem permissão, parte do território argentino. O fato ocasionou a tríplice aliança entre os três países para a quão renhida batalha. Atendendo ao chamamento, que solicitava o alistamento de voluntários, o Coronel José Lustosa da Cunha organizou, no distante e humilde lugarejo de Santa Filomena, um grupo de 234 homens, contando com o concurso de dois filhos (um deles com apenas 14 anos), três sobrinhos e um neto, além de amigos, outros parentes e escravos. Outros voluntários da Comarca de Parnaguá se juntaram ao grupo no dia 22 de junho de 1865, na então vila de Santa Filomena, no local que ficou conhecido por “Remanso do Choro”, a jusante da ilha do Santo Antonio, quando os bravos voluntários se despediram de suas famílias e desceram no rio Parnaíba, num total de 14 balsas rum o a Parnaíba de onde partiu para o Maranhão e embarcando ali no vapor Tocantins até o Rio de Janeiro, onde desembarcaram no dia 09 de setembro do mesmo ano. É possível se imaginar as imensas dificuldades que encontraram em tão longa marcha até o cenário da guerra. Segundo relatos da época, por onde passavam eram recebidos festivamente. A esse respeito, noticia Pereira da Costa, em sua Cronologia Histórica do Estado do Piauí: “1865 – Agosto 10 – embarca em Teresina o 2º Corpo de Voluntários da Pátria, sob o comando do Tenente Coronel José Lustosa da Cunha, com destino à campanha do Paraguai. O corpo seguiu para Parnaíba, de onde partiu para o Maranhão e embarcando ali no Vapor Tocantins, e desembarcando no Rio de Janeiro, em 9 de setembro. Nesse Corpo seguiu como 2º Sargento a heroína e distinta Jovita Alves Feitosa, impedida pelo Ministro da Guerra de seguir para os campos de batalha, frustrando-lhe os sonhos”. Em sua escalada para o sul, Lustosa da Cunha tocou o Vapor Tocantins no Porto do Recife, em 1º de setembro. A façanha foi noticiada pelo jornal ‘Diário de Pernambuco’, na edição do dia seguinte, registrando a passagem do corpo de voluntários piauienses, nos seguintes termos: “... este Corpo, comandado pelo distinto senhor Coronel José Lustosa da Cunha, foi organizado pelo mesmo na Vila de Santa Filomena, que demora cerca de 200 léguas distante do litoral e umas 100 da capital da Província”. “... sem embargo de ser uma Vila de recente fundação, e por conseguinte ainda pouco populosa, contribuiu essa localidade para o desforço da Pátria ultrajada com 234 voluntários, que aí seguem reunidos a outros até a comarca de Parnaguá, em número de 404, que formam o efetivo deste brilhante corpo composto em seu todo de uma mocidade válida e de porte Marcial”. Os voluntários da Pátria tiveram uma participação ativa e heróica nas batalhas de Tuyuty e Curuzu, oportunidade em que, numa luta sangrenta e dantesca, na base do corpo-a-corpo, quase resulta no aniqu ilamento do Batalhão. “Dos 234 piauienses incorporados ao segundo corpo de voluntários, restaram apenas 60 sobreviventes, quase todos feridos”, escreve o escritor Jackson Cunha Nogueira, em seu livro O Patriarca – Troncos e Galhos. Eis, portanto, parte da história da quase sesquicentenária Santa Filomena, sede de um município com 5.285,45 km2. Ocupa 2,14% do território piauiense e conta com uma população pouco superior a 6 mil habitantes. Sem pressa, o tempo passa na pequena e pacata cidade que, apesar da abundância de recursos naturais e do imenso potencial agropecuário, ainda sofre com a falta de estradas e de outros tantos benefícios governamentais. Contudo, Santa Filomena consegue ser um ambiente com excelentes condições de habitabilidade, onde os jovens estão em sala de aula e, aos poucos, passam a ter acesso à Internet. Igualmente, é um lugar onde o agricultor familiar planta e colhe para se alimentar e onde os índices oficiais não conseguem mensurar a verdadeira qualidade de vid a de quem vive nessa região especial do Brasil.


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